Milie Mind

A Milie é uma plataforma desenvolvida para apoiar profissionais de saúde no acompanhamento e tratamento de crianças autistas, trazendo mais organização, eficiência e estratégia para a prática clínica.

Uma plataforma que reduz o tempo gasto com burocracia clínica para que fonoaudiólogos, terapeutas e psicólogos possam focar no que realmente importa: a evolução da criança.

Visão geral do produto

Fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e psicólogos que trabalham com crianças autistas enfrentavam dois gargalos no dia a dia: processos burocráticos que consumiam tempo que deveria estar no atendimento, e dificuldade real em acompanhar a evolução das crianças de forma estruturada.

Fora do consultório, os pais não tinham ferramentas para continuar o trabalho terapêutico em casa — criando uma lacuna entre as sessões e o cotidiano familiar.

O problema

Fui o designer responsável pelo produto do zero, trabalhando lado a lado com o time desde a definição do que construir até a interface final. Atuei nas frentes de pesquisa, design de interface, design system e documentação do processo.

Meu papel

Conduzi entrevistas com fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e psicólogos que atuam diretamente com crianças autistas. Os padrões foram consistentes em todas as conversas: tempo desperdiçado com papelada, falta de visibilidade do progresso da criança ao longo do tempo, e ausência de ferramentas digitais pensadas para esse contexto clínico específico.

Complementei a pesquisa com análise de concorrentes disponíveis no mercado e leitura de artigos sobre processos terapêuticos na área — o que ajudou a identificar lacunas que nenhuma solução existente cobria.

Como descobri o que precisava ser construído

A partir dos dados/informações achados, estruturei a plataforma em duas camadas principais.

Automatização de questionários e acompanhamento de progresso
O foco foi tornar a coleta e visualização de dados mais intuitiva, criando uma interface que centralizasse o histórico clínico e facilitasse o acompanhamento da evolução sem sobrecarregar o profissional. O registro manual foi substituído por um fluxo digital estruturado, reduzindo a carga cognitiva e o tempo gasto com burocracia.

Jogos digitais com foco terapêutico
A segunda camada trouxe jogos desenvolvidos especificamente para o contexto do autismo — equilibrando ludicidade e objetivo terapêutico. A experiência precisava ser engajante para a criança, mas ao mesmo tempo estruturada para gerar dados relevantes para o profissional acompanhar a evolução entre as sessões.

O que construí
Decisões de design

A interface foi pensada para reduzir carga cognitiva e facilitar a leitura de dados, apoiando decisões terapêuticas com mais segurança. Visualmente, o caminho foi o minimalismo funcional, com hierarquia bem definida, uso estratégico de cores para destacar ações e estados, navegação com poucos níveis de profundidade.

O cuidado com o contexto foi central em cada decisão: estamos falando de uma plataforma usada por profissionais que lidam com crianças em situação de vulnerabilidade. Isso exigiu sensibilidade além da funcionalidade técnica.

Resultado

Os profissionais relataram que a digitalização dos processos reduziu significativamente o tempo gasto com burocracia, liberando mais espaço para o atendimento. O acompanhamento de progresso, antes fragmentado entre anotações e planilhas, passou a ter uma visão centralizada e mais clara.

Os jogos foram bem recebidos tanto pelos terapeutas quanto pelas crianças, cumprindo o equilíbrio entre engajamento e estrutura terapêutica que guiou o projeto desde o início. Hoje, a plataforma já apoiou o acompanhamento de mais de 1.000 crianças atendidas pelos profissionais que a utilizam.